Dez anos depois, A Cartilha está de volta.

22/03/2026

O programa que é o indicador do mal a que chegamos - Vencidos

Sigo religiosamente todos os domingos de manhã o programa Vencidos (um bom nome para admissão do falhanço na vida de quem lá vai). Mas não sigo pela qualidade, que lhe falta, mas por ser uma espécie de termómetro da decadência do regime burguês social-democrata saído do 25 de Novembro.

O episódio desta manhã de "Vencidos" com Renata Cambra | Antena 1 - RTP foi uma agradável surpresa. 

Depois da apresentação da rapariga, anunciada quase como uma combatente de rua contra os cultos do socialismo da direita radical alemã - como se estivéssemos nas ruas de Munique nos anos 20, em Odessa em 2014 ou no circo folclórico do PREC que custou caro a alguns, como esta excelente reportagem demonstra, apesar dos envolvidos se desculparem que tudo é desculpável no quente do parolismo revolucionário - demonstrou-se ser uma moça interessante e simpática. Isto para azia do piegas de serviço e chorão profissional Luís Cacofonix Osório, que foi incapaz de conduzir a entrevista à aspirante a líder da extrema-esquerda antidemocrática para o sentimentalismo de cordel.

Mas a jovem Renata atacou e denunciou quanto quis, levando à amargura o entrevistador enquanto denunciava emplastros vários, desde o herói Francisco I do Vaticano ao herói Francisco I do ISEG, passando a ferro figuras como o herói cacique Garcia Pereira e outros cromos da aldeia levados ao colo pela imprensa da Situação, enquanto desconstruía a mesma extrema-esquerda. 

Para quem queira ouvir umas boas verdades sobre a burguesia de esquerda que não conseguirá auscultar noutros fóruns. Recomendo vivamente.



(Observador) Um assassinato na Reforma Agrária: a história esquecida de Francisco Veiga Teixeira - A ler e reler!

 




(Observador) 6 de Novembro de 1975, em pleno clima de tensão política e social, Francisco Veiga Teixeira foi assassinado por um militante comunista, durante confrontos que eclodiram numa manifestação pacífica em que participava e que tinha sido previamente autorizada pelo Governo Civil.

Nessa manifestação, ficou gravemente ferido o seu pai, que, quase por milagre não morreu, e mais 20 pessoas, atingidas pelas pedras e tiros com origem nos contra-manifestantes comunistas.

Francisco Veiga Teixeira tinha 18 anos, vivia em Coruche, distrito de Santarém, e era o segundo filho de António Veiga Teixeira, proprietário rural da vila também conhecido por deter uma ganadaria — propriedade destinada à criação de touros de lide — ainda hoje bastante reconhecida. Jogava râguebi num clube local, era caçador e atirador exímio e possuía uma afinidade muito forte com a gestão agrícola da propriedade do pai.

No mesmo confronto morreu Manuel Brás Lopes, 31 anos, membro do sindicato e militante comunista. Era um dos líderes da contra-manifestação, ilegal e não autorizada, armado com uma faca de mato com a qual desferiu o golpe que matou Francisco, feriu o seu pai e o seu irmão António. Era trabalhador agrícola e natural de Azerveira, uma pequena aldeia perto de Coruche.

O que se passou naquele dia foi um acto de violência injustificado e brutal, um momento de ódio sem qualquer sentido. A morte de Francisco quase não teve eco, foi pouco noticiada. E quando o foi, surgiu envolta em versões truncadas e relatos distorcidos. Não surpreende que assim o tenha sido porque tudo aconteceu num tempo em que jornais como o Diário de Notícias, onde José Saramago era subdirector, se encontravam profundamente condicionados pelo controlo político do Partido Comunista (PCP), moldando a narrativa pública segundo conveniências ideológicas marxistas e da luta de classes.

Estávamos a poucos dias do 25 de Novembro, os acontecimentos sucediam-se a um ritmo vertiginoso, o que nem sequer deu tempo ao país para se indignar. Nesse mesmo dia, o Governo mandou dinamitar os emissores da Rádio Renascença, na Buraca, ocupados por forças leais à União Democrática Popular (UDP). Nem três dias passados depois deste triste acontecimento, o Parlamento foi cercado pelos sindicatos afectos ao PCP. No Alentejo, as ocupações continuavam. A norte, as sedes do PCP e da UDP eram incendiadas. A sul, as Brigadas Revolucionárias de Isabel do Carmo e Carlos Antunes, agora na clandestinidade, retomavam os atentados à bomba e assaltos a bancos. As prisões do Copcon tinham abrandado, mas Caxias tinha mais presos políticos do que os libertados a 26 de Abril de 1974. O país estava a ferro e fogo e o clima era claramente de pré-guerra civil.

O protesto contra a Reforma Agrária

Tudo começou com uma manifestação convocada por vários agricultores e pela Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) para sexta-feira, 6 de Novembro, precedida de uma reunião no Pavilhão da Agricultura. Esta manifestação — com cerca de 2.500 pessoas, segundo o Diário de Notícias, ou 500, segundo o comunicado da Escola Prática de Cavalaria de Santarém (EPC) — pretendia protestar contra a forma como a Reforma Agrária estava a conduzir a uma situação de pré-catástrofe da produção agrícola nacional e cujos efeitos já se tornavam bastante visíveis.

Após a concentração e alguns discursos no Pavilhão da Agricultura, a manifestação foi desviada do Centro Regional da Reforma Agrária (CRRA) e dirigiu-se ordeiramente para a Escola Prática de Cavalaria de Santarém, por ordem do seu comandante, o tenente-coronel Alves Ribeiro, de modo a evitar qualquer hipótese de confrontos.

Mas o CRRA de Santarém, totalmente dominado pelo PCP, considerou a manifestação e o conteúdo da sua convocatória provocatórios, alegando que esta “pretendia criar conflitos entre pequenos agricultores e trabalhadores rurais” e “congregar forças que se opunham à Reforma Agrária, inserindo-se na escalada reacionária que têm vindo a assumir contra os Centros da Reforma Agrária”.

Deste modo, na véspera, o CRRA convocou, via rádio, uma contra-manifestação, em conjunto com o Sindicato dos Operários Agrícolas de Santarém, também ele dominado pelo PCP. O comunicado de convocatória continha referências altamente provocatórias aos organizadores da reunião, o que foi interpretado como um incentivo e uma legitimação do confronto e da violência que viria depois a ocorrer.

Apesar de já ter determinado que o percurso da manifestação não passasse perto das instalações do sindicato e do CRRA, os soldados da EPC montaram um dispositivo de segurança junto às instalações do Sindicato dos Operários Agrícolas e do Centro Regional da Reforma Agrária, a pedido do Ministro da Agricultura, António Lopes Cardoso, com o objetivo de evitar qualquer tentativa de assalto. Além disso, a cidade foi mantida sob patrulhamento constante.

No entanto, a manifestação decorria de forma pacífica e não passava sequer junto das instalações onde estavam os comunistas. Quando os manifestantes se encontravam na Rua Guilherme de Azevedo, a cauda do cortejo foi interceptada por algumas dezenas de contra-manifestantes comunistas, vindos do Centro da Reforma Agrária e do sindicato, que dali saíram dirigindo-se até à manifestação, munidos de facas, barras de ferro e fisgas artesanais destinadas a arremessar pedras da calçada.

À frente dos desordeiros seguia Manuel Brás Lopes, empunhando uma enorme faca que, segundo os relatos na imprensa, tinha cerca de 20 centímetros de comprimento. Avançou para o meio da manifestação e dirigiu-se diretamente ao grupo onde se encontrava António Veiga Teixeira com os seus dois filhos: António, de 21 anos, e Francisco, de 18.

Francisco, sem nada que o protegesse, num impulso de coragem, colocou-se à frente do agressor. Manuel Brás Lopes, de faca erguida, tentou atingir indiscriminadamente os manifestantes diante de si. Nada parecia travá-lo. António, o filho mais velho, lançou-se então por trás do agressor, agarrando-lhe primeiro o braço e imobilizando-o depois contra uma parede. Um outro popular juntou-se à luta, ajudando a desarmar e a dominar Brás Lopes.

Quando a confusão terminou, António Veiga Teixeira (pai) ficou deitado no chão, a esvair-se em sangue, atingido por uma facada na perna que, viria a saber-se mais tarde, tinha atingido uma das veias safenas, responsáveis por conduzir o sangue ao coração.

Os acontecimentos desenrolaram-se com enorme rapidez e o distanciamento de mais de 50 anos é um obstáculo à reconstituição precisa da cronologia e da forma exata como as vítimas foram feridas.

A poucos metros, Francisco também está caído. Uma ferida profunda atingira-lhe a veia pulmonar. Sem que ninguém ainda o soubesse, estava mortalmente ferido. A coragem com que enfrentara o agressor pode, no entanto, ter salvo a vida do pai. António (filho) também estava ligeiramente ferido, embora sem gravidade.

Manuel Brás Lopes estava também no chão, aparentemente sem vida. Ferira três pessoas, duas delas com extrema gravidade, e acabaria também ele por morrer na luta que se seguiu.

Ao contrário do que se afirmou mais tarde, não foi vítima de linchamento pela população local. Morreu ali mesmo, muito provavelmente atingido durante o confronto que ele próprio desencadeara.

Entretanto, António (filho) apercebeu-se da gravidade dos ferimentos do irmão. Sem hesitar, pegou nele ao colo e correu rua acima, conseguindo fazer parar um automóvel conduzido por um casal ainda jovem, que os levaram rapidamente para o Hospital da Misericórdia de Santarém, situado a curta distância.

O ferimento era devastador. Francisco cuspia sangue. António recordaria mais tarde o momento em que chegou ao hospital com um sentimento de alívio, convencido de que o irmão sobreviveria, pois ainda se mantinha consciente. Mas o desfecho seria brutalmente rápido. Francisco morreria menos dez minutos depois.

À frente dos desordeiros seguia Manuel Brás Lopes, empunhando uma enorme faca com 20 centímetros de comprimento, que desferiu contra os manifestantes pacíficos. Francisco, sem nada que o protegesse, num impulso de coragem, colocou-se à frente do agressor.

O pai, António Veiga Teixeira, esteve também a um sopro do mesmo destino. Por um acaso, quase milagroso, é recolhido à porta de um consultório dentário naquela rua, onde um dos participantes da manifestação, João Folque Mendonça, lhe aplica um garrote, conseguindo estancar temporariamente a hemorragia e ganhar tempo até à chegada ao hospital.

Quando deu entrada no hospital, o prognóstico foi reservado. Ainda assim, contra todas as probabilidades, resistiu.

Além dos Veiga Teixeira, nesse dia deram entrada no hospital cerca de vinte feridos, de várias idades, todos do lado dos agricultores que tinham sido atacados. Para lá de Brás Lopes, que já chegou morto, não há registo de outros feridos entre os contra-manifestantes.

Muitos dos ferimentos resultaram de um ataque inesperado com pedras da calçada, lançadas com recurso a fisgas improvisadas, feitas com câmaras de ar de bicicleta e utilizadas por alguns dos contra-manifestantes comunistas. Estas fisgas permitiam lançar pedras pesadas a grande distância e com enorme violência.

Durante o confronto houve ainda um manifestante atingido por um disparo e uma granada caseira, construída com zagalotes (balas de chumbo para espingarda), que foi arremessada contra a manifestação e, por pura sorte, não chegou a explodir. Se tivesse rebentado, o número de vítimas teria sido certamente muito maior.

António Veiga Teixeira permaneceu internado no hospital durante mais cinco noites. Logo após os acontecimentos, começaram as ameaças anónimas à família e as promessas de vingança pela morte de Brás Lopes. Nada lhe foi dito sobre a morte do filho, para não comprometer a sua recuperação. A verdade pesada e irreversível só lhe seria revelada dias mais tarde.

A PSP, cuja esquadra fica a pouco mais de 150 metros do hospital, declarou não ter meios para intervir nem para montar guarda ao quarto de António Veiga Teixeira. A Escola Prática de Cavalaria (EPC) dispôs-se a comparecer em caso de emergência, mas encontrava-se a cerca de quinze minutos de distância. E, numa situação como aquela, quinze minutos podiam ser demasiado tempo. Era necessário garantir a segurança naquele primeiro quarto de hora.

Além dos Veiga Teixeira, nesse dia deram entrada no hospital cerca de vinte feridos, de várias idades, todos do lado dos agricultores que tinham sido atacados — com pedras da calçada e disparos. Para além de Brás Lopes, que já chegou morto, não há registo de outros feridos entre os contra-manifestantes.

Na primeira noite, houve mesmo uma tentativa de invasão, mas os amigos estavam prevenidos. Montavam guarda à porta do quarto e do hospital. Eram caçadores e, desta vez, estavam armados.

No dia seguinte à morte, ainda antes do enterro, Maria Helena Veiga Teixeira, mãe de Francisco e mulher de António, recebeu várias chamadas telefónicas ameaçadoras, cheias de provocações e insultos.

Pouco mais de vinte e quatro horas depois de lhe terem assassinado o filho e de quase lhe terem morto o marido, a herdade de Vale Boi, propriedade da família Veiga Teixeira, foi ocupada com o apoio de tropas vindas de Torres Novas comandadas pelo Capitão Andrade e Silva e por Domingos Martins, o autor das ameaças. A data da ocupação não era coincidência. Era vingança.

O enterro de Francisco Veiga Teixeira realizou-se num dos dias seguintes, em Coruche. No dia do enterro, militares vindos de Vendas Novas, quartel então totalmente controlado pelo PCP e que dera suporte armado a muitas das ocupações ocorridas em 1975, instalaram pontos de vigilância em vários locais estratégicos, desde a igreja até ao Hospital da Misericórdia. Estavam armados com metralhadoras e possuiam vários viaturas Chaimite blindadas, numa presença claramente intimidatória. Era como se as vítimas fossem agora os agressores.

A missa de corpo presente de Francisco Veiga Teixeira decorreu num ambiente de choque profundo e de enorme tristeza. Mas também sob a sombra pesada dessa demonstração de força militar.

À frente do cortejo seguia Maria Helena, a mãe de Francisco. Caminhava com uma dignidade impressionante, apesar da dor devastadora que carregava.

Na vila, alguns carros começaram a buzinar em protesto ostensivo contra a presença da tropa e em apoio à família Veiga Teixeira.

Talvez os militares não soubessem. Talvez lhes fosse simplesmente indiferente. Mas, pouco antes da missa de corpo presente, Maria Helena tinha pedido que se celebrasse a missa pela alma do seu filho Francisco, mas também pelo seu assassino, Manuel Brás Lopes. Um enorme gesto de fé e de uma generosidade quase incompreensível naquele momento. Poucos teriam sido capazes de fazer o que Maria Helena fez nesse dia.

Nos dias que se seguiram, a família Veiga Teixeira, por razões de segurança, optou por sair de Coruche. Foi viver para Badajoz, para um pequeno apartamento, propriedade da família. Para evitar problemas, abandonaram o país pela fronteira mais próxima de Portalegre. Foram acompanhados por duas viaturas de amigos, mas, mesmo assim, seguidos durante mais de 100 quilómetros por um carro desconhecido.

Só em finais de 1976 é que a família Veiga Teixeira retornou a Coruche e apenas em 1978 começou o processo de devolução das terras que legitimamente lhe pertenciam e tinham sido ocupadas.

Talvez os militares não soubessem, mas, pouco antes da missa de corpo presente, Maria Helena tinha pedido que se celebrasse a missa pela alma do seu filho Francisco, mas também pelo seu assassino, Manuel Brás Lopes. Um enorme gesto de fé e de uma generosidade quase incompreensível naquele momento. Poucos teriam sido capazes de fazer o que Maria Helena fez nesse dia.

O contexto da Reforma Agrária

Francisco Veiga Teixeira tinha apenas 18 anos quando morreu. A facada que o atingiu durante os confrontos daquela manifestação em Santarém viria a transformar um episódio de violência política num símbolo trágico dos últimos dias do PREC. O país vivia então um dos momentos mais tensos do Processo Revolucionário em Curso, iniciado a 25 de Abril de 1974, e prestes a chegar ao fim.

A nomeação do VI Governo Provisório, liderado por Pinheiro de Azevedo, alterara significativamente o equilíbrio político entre os setores moderados e o Partido Comunista Português. No novo executivo, o PCP ficara reduzido a um único representante, Álvaro Veiga de Oliveira, ministro do Equipamento Social.

Mas a perda de influência dos comunistas no governo não significava uma perda imediata de poder político. A força dos comunistas media-se agora sobretudo na rua. Comissões de moradores, comissões de trabalhadores e sindicatos multiplicavam sessões de esclarecimento, greves, paralisações e manifestações, numa mobilização crescente que atingiria o seu ponto alto, poucos dias depois, com o cerco à Assembleia da República.

Desde o início do PREC que os comunistas consolidavam posições dentro do aparelho de Estado, ou organismos oficiais, sendo que já antes haviam conquistado influência em várias unidades militares no Sul, no Exército, na Marinha e na Força Aérea.

Fora de Lisboa, a presença comunista fazia-se sentir com particular intensidade no Alentejo e em partes do Ribatejo, nas chamadas Zonas de Intervenção da Reforma Agrária. As ocupações de terras aceleravam a um ritmo vertiginoso, sobretudo a partir de finais de Setembro de 1975.

No Ministério da Agricultura, o socialista António Lopes Cardoso, convicto defensor da Reforma Agrária, não se mostrava particularmente preocupado com o facto de a lei que regulava o âmbito e forma como se deviam fazer as expropriações, não estar a ser respeitada no terreno, reconhecendo que as ocupações de terras eram conduzidas pelos sindicatos e trabalhadores, com o Governo sucessivamente atrás.

Na Secretaria de Estado da Estrutura Agrária, António Bica, um comunista particularmente activo e eficaz, defendia sem rodeios: “Não há reforma agrária sem ocupação prévia da terra”. Além de ter extinguido os grémios da lavoura, promoveu e impulsionou as ocupações, mesmo para lá do 25 de Novembro, até ser finalmente exonerado, em Janeiro de 1976.

Só em Outubro de 1975, foram ocupados mais de 420 mil hectares, ultrapassando toda a área ocupada desde Janeiro desse ano e, em Novembro, mais 230 mil, principalmente nos distritos de Évora, Beja e Portalegre.

A 27 de Setembro, foi aprovado um decreto-lei que estendeu o acesso ao Crédito Agrícola de Emergência (CAE) às Unidades Coletivas de Produção (UCP), colocando-as nas mesmas condições das cooperativas agrícolas. Na prática, este mecanismo permitia financiar as UCP e pagar salários nas herdades ocupadas, funcionando quase como um financiamento a fundo perdido. A banca, entretanto nacionalizada, injetava fundos nas cooperativas, sem contrapartidas económicas claras, racional financeiro ou qualquer tipo de garantias. Mais uma vez, o contribuinte era chamado a financiar os desvarios marxistas.

Só nesse mês de Outubro foram ocupados mais de 420 mil hectares, ultrapassando toda a área ocupada desde Janeiro desse ano e, em Novembro, mais 230 mil, principalmente nos distritos de Évora, Beja e Portalegre.

A nível local, as ocupações tiveram suporte militar evidente. Um dos protagonistas foi o capitão João Andrade e Silva, responsável pelo quartel de Vendas Novas. O mesmo oficial que, no 25 de Abril, avançara em apoio de Salgueiro Maia na zona do Cristo Rei, e anos mais tarde viria a ser julgado pelo homicídio de um homem na Madeira, morto a tiro durante desacatos.

Foi Andrade e Silva quem assegurou grande parte da força militar por trás das ocupações na região entre Évora e Coruche, naquele Verão Quente. As suas tropas, de boné à Che Guevara e cartucheiras cruzadas ao peito, lembravam mais guerrilheiros saídos da Sierra Maestra do que soldados de um exército regular de uma democracia ocidental.

Partiam frequentemente de manhã do quartel e, acompanhadas por trabalhadores rurais e por elementos da população local, chegavam a ocupar entre dez e doze herdades num único dia.

Terá sido também Andrade e Silva quem ordenou o dispositivo militar intimidatório durante o cortejo fúnebre de Francisco Veiga Teixeira. E foi igualmente sob proteção militar que, no próprio dia seguinte à sua morte, a herdade de Vale Boi, propriedade da família Veiga Teixeira, acabaria ocupada.

Nesse ambiente de radicalização crescente, a fronteira entre ação política, pressão social e intimidação tornava-se cada vez mais ténue.

A nível central, havia outro protagonista, o inefável Otelo Saraiva de Carvalho. Na véspera da morte de Francisco, em Beja, fora particularmente claro nas suas palavras: “Estamos em revolução que se diz socialista. Se isto é autêntico, essa revolução passa fatalmente pela coletivização dos meios de produção e da riqueza neste país. A Reforma Agrária que vocês estão a conduzir exemplarmente é um exemplo autêntico da coletivização dos meios de produção. A terra é um meio de produção. Vocês vão trabalhar a terra porque, como dizia Che Guevara, repetindo uma frase que eu disse no Barreiro, não deve haver nenhuma terra sem trabalhadores nem nenhum trabalhador sem terra. Vocês, ao trabalharem esta terra que é de todos nós, que é de todo o povo de um país, estão a contribuir de forma autêntica e extraordinária para a verdadeira revolução socialista.”

Referindo-se depois a um encontro com trabalhadores alentejanos da região de Santarém, acrescentaria: “Ver a vontade imensa que existia neles de, se possível, e eles creem que é possível, produzir agora, este ano, ainda mais do que aquilo que era produzido antes de 25 de Abril, para poder demonstrar a toda uma fação conservadora, reacionária e capitalista que o povo trabalhador, quando tem nas mãos os meios de produção, consegue trabalhá-los e produzir a bem de todo o povo e não apenas a bem de uma minoria.”

De facto, não houve atropelo à liberdade, à democracia e ao estado de direito, onde Otelo não estivesse presente.

A Reforma Agrária foi uma das tragédias da revolução. Não foram apenas as duas vítimas oficiais, Antonio Casquinha e João Caravela, mortos num processo de devolução de terras, em Montemor, em 1979. Da história de Francisco, hoje, talvez só família e alguns amigos se recordarão. O seu nome pode não constar das estatísticas oficiais das vítimas do PREC ou da Reforma Agrária, mas essa omissão não apaga a gravidade do que aconteceu. A sua morte foi gratuita, violenta, inconsequente e representou uma perda enorme e uma dor imensa para a família. É por isso importante recuperá-la.

Ninguém foi responsabilizado. Uma amnistia aprovada pelo Parlamento em 1979 viria a perdoar os crimes e excessos cometidos durante esse período. O Alentejo demorou mais de 15 anos a recuperar e em 1990, quando Luís Marques Mendes, então porta-voz do Conselho de Ministros, anunciou o fim da Zona de Intervenção da Reforma Agrária, ainda havia mais de 150 mil hectares ocupados, a maioria por organizações controladas ou dominadas pelo PCP.

Henry Kissinger descrevia bem: “As revoluções irrompem quando uma multiplicidade muitas vezes heterogénea de ressentimentos conflui no assalto a um regime desprevenido. Quanto mais ampla a aliança revolucionária, maior a sua aptidão para destruir os padrões vigentes de autoridade. Mas quanto mais abrangente for a mudança, mais violência será necessária para restaurar a autoridade, sem a qual a sociedade se desintegraria. Os reinos de terror não surgem por acidente, antes são inerentes à revolução”.

O que aconteceu naquele período configura exatamente a visão de Kissinger. E a memória do Francisco não deve, por isso, ser esquecida.

John Mearsheimer sobre a intervenção no Irão e o lóbi judeu


“We regarded Witkoff and Kushner as Israeli assets that dragged a president into a war he wants to get out of.”

A frase acima, dita por envolvidos nas negociações anteriores à guerra, demonstram a influência a que o presidente Trump nãoconseguiu escapar, e da qual já foi vítima no final do primeiro mandato. O agora presidente MIGA - Fazer Israel Grande Novamente errou seriamente ao preterir a sua base de apoio americana para satisfazer a vontade israelita e o lóbi de alta esfera judaico. A escolha foi difícil, e mais difícil será sair desta situação sem perder a face, algo que um país como os EUA não poderão aceitar.


O professor John Mearcheimer analisa a delicada situação num vídeo a não perder aqui.




Labregos com pena às mãos da Sonae

Já aqui falamos do lixo informativo utilizado e financiado pela SONAE na ratoeira à extrema-esquerda antidemocrática que é o jornal Público. 

Mas como os Azevedos não querem perder demasiado dinheiro no esquema Público, querem aproveitar a borla do governo social-democrata de centro-esquerda que vai gastar milhões para subscrever jornais ou revistas através do programa de oferta de assinaturas digitais para jovens. E que vão os jovens estudantes ler nesse panfleto da capitalista com rosto de extrema-esquerda antidemocrática?

Artigos sem nível algum e linguagem de esgoto como este:

“É mesmo muito fodido ser homem” — carta ao meu irmão acidental António Lobo Antunes | Crónica | PÚBLICO

(France24) Israeli planes spray herbicides on Syrian farmers’ fields

Crimes sem impunidade: nem o regime de apartheid, o genocídio e limpeza étnica de palestinianos, a guerra permanente no médio oriente parecem ter limites. A alternativa à existência do estado de Israel não parece ser melhor, mas a destruição dos inimigos e de inocentes é inaceitável. 


(France24) Israeli planes spray herbicides on Syrian farmers’ fields

Footage from January and February 2026 captures Israeli aircraft spraying herbicides over agricultural land in southern Syria. The FRANCE 24 Observers team spoke to a farmer who described the significant losses resulting from these spraying operations.

These planes were all spotted over the buffer zone that separates Syria from the Israeli-occupied Golan Heights. This zone is supposed to be demilitarised. However, since the fall of Bashar al-Assad at the end of 2024, the Israeli military has established bases there and even further inland.

Following these spraying operations, farmers say their crops turned yellow in just a few days. Local agricultural authorities report that hundreds of hectares have been affected, including fruit trees.

We spoke with one local farmer who asked to remain anonymous.

“On January 27, 2026, Israeli aircraft conducted an extensive herbicide spraying operation. On February 5, 2026, the crops began to turn yellow and, on February 7, 2026, they started to wither.

Personally, I lost 7.5 hectares of wheat. I had purchased the seeds and farmed the land on credit. My creditors are now demanding their money, and the crops have been destroyed by the Israeli occupation."

By analysing satellite images, the NGO PAX has calculated how much land in Syria was hit. Wim Zwijnenburg, disarmament project leader at PAX, told our team:

“We looked at the damaged vegetation and compared it with the week before it was sprayed and the week after it was sprayed. We could follow this line of affected vegetation for roughly 55 kilometres from the south to the north in the Golan Heights. 

What Israel effectively has been doing is creating a dead zone on the borders with Syria and Lebanon, allegedly for security reasons.”

An Israeli plane at low altitude spraying herbicides on farmland near Quneitra, Syria.
An Israeli plane at low altitude spraying herbicides on farmland near Quneitra, Syria. © Observers

A família Azevedo e a beleza de subsidiar e matar moralmente comunistas

O Grande Capital sabe-se posicionar perante as aragens da mudança e, principalmente, tudo faz para sobreviver à destruição de quem os ameaça destruir. Neste caso da família capitalista Azevedo, subsidiando quem os acossa, comprando a raiva revolucionária que tantas vitimas tem feito nos últimos séculos. Assim, comprometendo a raiva de quem quer mudar o mundo pela agitação das ruas, controlam-se os idiotas. Eles depois tratam de se canibalizar e auto-mutilar, como pequeno-burgueses que são.



(The Telegraph) Finland is the living proof of the lie at the heart of mass migration

(The Telegraph) Finland is the living proof of the lie at the heart of mass migration


Dirty and torn Finland flag, symbol of resistance and victoryFinland’s findings echo those from Denmark, the Netherlands and elsewhere in Europe - iStockphoto
Finland’s findings echo those from Denmark, the Netherlands and elsewhere in Europe - iStockphoto

When it comes to mass migration to developed countries, the debate is really between internationalists and nationalists.

The internationalists are strange bedfellows: socialists who want a world without nations and borders, corporate elites who prioritise cheap labour, and welfare-dependent migrants-turned-citizens. The nationalist camp is comprised of patriotic, populist, religious, and conservative parties that value national and economic security, public safety, national identity, and culture.

Internationalists believe that nationalism is bad and that borders are inhumane. While supporting international institutions, they argue that mass migration is an economic and demographic necessity for Western countries. They want a steady stream of migrant workers to prop up their expensive welfare states – particularly to countries with low fertility rates. To make this palatable, they insist that immigrants from anywhere can easily assimilate, that they are net tax contributors, and that the lives of natives will not suffer.

Unfortunately for this narrative, evidence is growing that none of these three claims are true. Far-away Finland, at the edge of the EU, provides an example.

Many countries do not collect comprehensive data on national origin that allow for comparisons, but Finland does. An analysis of that data by the Finnish think tank Suomen Perusta, which is linked to the Right-wing Finns Party, reveals valuable lessons for all migrant-receiving countries.

Finland has about five million people, of whom about 600,000 are foreign-born. Ten years ago, it was only around 300,000. Previous years saw little migration from far-off countries, but Finland today gets around 50,000 new arrivals a year, many from Africa, Asia, and the Middle East.

In the greater Helsinki area, over a fifth of the population is now believed to have a foreign background. In 2024, about half of the new arrivals came to join family members, according to the OECD.

Research from Suomen Perusta sought to calculate the so-called “life cycle effects” on the public finances of migrants, particularly of asylum seekers and refugees born in Iraq and Somalia. It predicted that Somalis were the most expensive, with a net estimated lifetime cost of 951,000 euros (roughly $1.1 million). Iraqis cost almost 700,000 euros. When the migrants’ children were added, the figure for Somalis went up to 1.34 million euros.

This confirmed data Suomen Perusta uncovered from 2011, which showed that the net annual tax contribution for a native-born Finn was a positive 3,400 euros. For all foreign-born people, it was close to zero, but that hid wide differences: negative 7,900 euros for Somalis, and positive 5,100 euros for Germans.

It’s too early to be sure what will happen in subsequent generations, but Finland’s findings echo those from Denmark, the Netherlands and elsewhere in Europe. Were accurate data available for the US, is it likely we’d see dramatic differences? Immigrants are not all the same. Country of origin, culture, education, and how they arrive all produce greatly varying results. The bottom line is that some types of migrants Western countries currently accept are subtracting from the common fiscal pot, not adding.

Opinion polls across the EU show that large proportions of voters don’t want mass migration, but a combination of the Left, corporate interests, and migrant voters wins elections and maintains the status quo.

Welfare-dependent newcomers clearly know which side their bread is buttered. A recent Finnish poll suggested that more than two-thirds of immigrants polled said they’d vote for Left-wing parties, which generally favour more mass migration and universal welfare benefits.

This phenomenon isn’t unique to Europe. In Minnesota, 81 per cent of households headed by Somali immigrants use some kind of federal welfare, compared to 21 per cent for households headed by natives. Also in Minnesota (and the US as a whole) “most Somali-American voters remain loyal to the Democrats”, writes Mohamed Gabore.

The US system puts family reunification above economic interests, failing to prioritise the potential migrants who would be productive and best assimilate. Under the Trump administration, the state department has been more willing to deny visas because the applicant is a likely “public charge” (drain on taxpayer-funded services).

This is good, but for the longer term, migration needs to be both limited to assure assimilation, and targeted at those who will be net contributors to avoid worsening our downhill fiscal spiral.

Europe has seen much internal migration and displacement through the centuries, but in the last 30 years, mass migration from outside the continent has radically altered the makeup of nations. Several major cities in Europe, including London, no longer have a majority of indigenous people. About a third of Parisians were born abroad.

There will always be a high demand to escape poor countries. Migrants do so via student, family reunification, and work visas, as well as bogus asylum claims. Whether people in the countries they wish to go to will keep voting to maintain all these pathways is an existential question. Giving voters accurate information about the costs and benefits is therefore essential.



(Zero Hedge) Nigerian Researchers Accidentally Confirm Africa's Low IQ Problem

 (Zero Hedge) Nigerian Researchers Accidentally Confirm Africa's Low IQ Problem

For many years the political left has dismissed all discussion about links between third world populations and low intelligence as "racism" and "xenophobia".  The well documented fact that low IQ populations are more inclined towards lack of impulse control and a higher crime rate does not matter to progressives.  They assert that such claims are based on "rigged" and "biased" data.  

For example, the data on Somalia's low median IQ (which is 67 and far below the western average of 100) is often criticized as "incomplete" because the data is usually taken from refugees and migrants leaving the country rather than a population sample from within the country.  However, populations in neighboring countries like Djibouti or Ethiopia have nearly identical test results. 

It is simply a fact that IQ is largely genetic (around 80% of testing outcome).  The rest is a matter of varied experiences and environment. This does not mean that a "disadvantaged" childhood results in a lower IQ score.  In fact, high IQ individuals often come from significant struggles and studies on top "high achievers" show that around 75% of them come from difficult backgrounds including extreme poverty. 

The leftist arguments against IQ as a qualifier for immigration are built around feelings rather than facts.  And when it comes to progressives and globalists with an agenda, it is obvious that they prefer third world immigration for the exact reason that these people are habitually impulsive and ready to wreak havoc on western society.  That's the outcome the "Multiculturalists" want.

A recent randomized study by researchers in Nigeria was designed to prove the western conception of sub-Saharan Africa wrong:  They believed that Africa's average IQ was much higher than older data claimed.  But, the ultimate outcome of their testing simply reinforced what everyone else already knows.

  

Only 3% of participants scored above the western average of 100.  The median IQ of all participants was 69.  Over 50% of the people tested scored below 70.  To understand just how low Nigeria's averages are, the US Department of Defense in previous research has determined that an 80 IQ is the lowest score that a recruit can have and still be viable for a job in the military. 

On the other end of the spectrum, a "gifted" IQ is 130 or above; only 2% of the entire human population is in this category.  This is nearly 30 points above the highest scores in the Nigerian study.  

IQ measures cognitive capacity and not necessarily all forms of intelligence.  That said, it is perhaps the best measure we have to accurately predict speed of thought, pattern recognition and general success in higher education (STEM fields most of all).  IQ shifts very little over time and age, and academic improvement will rarely lead to an increase (perhaps 5-10 points in the best case scenarios).    

As noted, lower IQ tends to correlate to a higher chance of criminal activity and impulsive violence.  It is not a factor that can simply be ignored for the sake of liberal virtue.  It is too dangerous to sneer at.

This is not to say that all low IQ people are dangerous criminals or that they can't function in society.  Many certainly can.  The problem is a matter of averages and risk.  Is it worth the risk to invite mass immigration from known low IQ countries in the third world given the increased chances of criminality?  The logical answer is no, of course it's not.  There's absolutely nothing to be gained.    

Ideally, western nations should be looking for the best of the best of any potential immigration source.  This can be measured in a lot of ways, with loyalty and a willingness to integrate being at the top of the list.  That said, IQ should also be considered.  There's no practical excuse to dismiss it, only ideological excuses.

17/03/2026

MIGA - Fazer Israel Grande Novavamente

 



Trump perdeu-se - não perdeu, mas está tropeço e a partir de agora não se vai conseguir reerguer, emaranhado que está pelos grupos de interesses sionistas que JFK e Nixon denunciaram. E não foi vítima de uma teoria da conspiração da rede de Epstein, mas no grupo lobista registado AIPAC. 

Os goyim dos MAGA foram usados por Isarael para promover o estado de guerra permanente e a expansão de Israel, e caíram na armadilha ao atacar o Irão e legitimar nova ação sionista no sul do Líbano.

O movimento MAGA passou agora a ser conhecido por MIGA - Fazer Israel Grande Novavamente (Make Israel Great Again).

Mais leituras sobre o tema:

(JP) Who are the Jews in Trump’s inner circle and how will they affect his second term?

(Axios) "No imminent threat": U.S. Counterterrorism Center head resigns over Iran war



A Justiça Distópica

A Justiça não é um dos principais problemas de Portugal. A Justiça é o principal problema de Portugal. Uma patologia que mina a estrutura da Nação, descredibiliza a atividade política, corrói a coesão social e a crença num futuro melhor. E não o faz apenas por se entrelaçar com o pior do poder político, por se desculpar com projetos e propostas de lei que impedem a criminalização do enriquecimento ilícito, branqueiam a pedofilia das altas esferas como no escândalo Casa Pia, e bloqueiam as leis anti-corrupção dos servidores públicos, clientelas e lóbis que se alimentam do orçamento de estado. Não, a responsabilidade não emana das leis mal feitas, mas da pobre qualidade humana daqueles que são recrutados para as funções onde a hombridade, os valores, a proteção da comunidade e todo e qualquer elementar bom senso são substituídos por valores de uma revolução cultural supra-humana e uma desumanidade ideológica. Sem formação humana - ou com uma muito fraca - e forte componente ideológica pós-leninista, os serventes da Justiça passa a ser meros farrapos humanos. Esta entrevista mostra bem a ausência de qualidade humana destes seres fracos e moles, sem estrutura ou orgulho, numa realidade distópica que apenas pode levar ao vazio do relativismo, à imolação da civilização portuguesa e ao desaparecimento de todo o património imaterial de uma nação: 

Vencidos Episódio 9 - de 01 mar 2026 - RTP Play

A não perder.

17/02/2026

A Decadência do Ocidente Explicada em Três Frases

"It doesn't matter what is true, it only matters what people believe is true."
Paul Watson (fundados da Greenpeace)

«Os países burgueses são de tal forma estúpidos e gananciosos que um dia eles próprios nos vão vender a corda com que os enforcaremos»
LENINE

 "É na observação da realidade que eu estabeleço os planos que levam à vitória, mas isto escapa ao comum dos mortais. Muito embora todos tenham olhos para observar as aparências, ninguém compreende como é que eu criei a vitória."
SUN TZU


Cosmoparolismo - Paulo Guinote

 

Cosmoparolismo

 Em despacho de 30 de Janeiro, o reitor da Universidade Nova determinou o que deveria ser óbvio: que “a denominação própria e característica das Instituições de Ensino Superior” deve ser feita de forma “inequívoca em língua portuguesa”, permitindo a designação bilingue das faculdades que o entendam, por exemplo, nas suas comunicações com organizações internacionais, desde que não suprimam a denominação em Português.

Não parece uma decisão disparatada ou insensata, muito pelo contrário. Aliás, o que parece estranho é que Instituições de Ensino Superior públicas se tenham começado a apresentar com designações em inglês (branding). Ou, em nome das alegadas vantagens de marketing da “internacionalização”, a direccionarem para o estrangeiro uma parte substancial do recrutamento dos seus alunos e à maioria das aulas, mesmo quando asseguradas por docentes indígenas, serem leccionadas em língua inglesa.

Em defesa dessas opções alega-se que, assim, conseguem maiores receitas com as matrículas e que a anglicização é um factor importante para a presença dessas instituições em posições de destaque em rankings internacionais. Em particular as faculdades (Schools) de Gestão (Business) e Economia (Economics) parecem cativadas por essa tendência e nota-se em muitos dos seus docentes um especial orgulho em fazerem parte de instituições que se esforçam por apagar a sua ligação a (menos a geográfica, porque o sol, as praias e a comida são trademarks de) Portugal.

A este respeito, para não me alongar no sarcasmo quanto à predominância da imagem em relação à substância, diria que o prestígio de uma instituição não depende da sua designação em língua estrangeira, por universal que seja. As alemãs TUM (Technische Universität München) ou LMU (Ludwig-Maximilians-Universität München) não precisaram de se anglicizar para manterem a sua reputação. A Sorbonne será sempre conhecida como tal. A École Polytechnique de Paris está no topo sem negar a sua origem. A ETH Zürich (Eidgenössische Technische Hochschule Zürich) está em 7.º lugar no QS World University Rankings 2026 sem necessitar de mais do que ter a funcionalidade, agora quase automática, de apresentar as suas informações em diferentes línguas no seu site. As restantes Universidades do Top-10 têm designações em inglês porque estão em países onde essa é a língua oficial (ou uma das oficiais, como em Singapura).

Além disso, no caso de instituições da rede pública, seria de pensar que as suas prioridades se direccionariam para os alunos nacionais e para o desenvolvimento do país, através da formação de capital humano altamente qualificado. Só que, em particular na área de business and economics, está bem à vista que a sua maior especialidade é na formação de comentadores mediáticos ou de autores de estudos de impacto muito discutível no desenvolvimento do “tecido empresarial”, se exceptuarmos fugazes unicórnios.