Dez anos depois, A Cartilha está de volta.

22/03/2026

O programa que é o indicador do mal a que chegamos - Vencidos

Sigo religiosamente todos os domingos de manhã o programa Vencidos (um bom nome para admissão do falhanço na vida de quem lá vai). Mas não sigo pela qualidade, que lhe falta, mas por ser uma espécie de termómetro da decadência do regime burguês social-democrata saído do 25 de Novembro.

O episódio desta manhã de "Vencidos" com Renata Cambra | Antena 1 - RTP foi uma agradável surpresa. 

Depois da apresentação da rapariga, anunciada quase como uma combatente de rua contra os cultos do socialismo da direita radical alemã - como se estivéssemos nas ruas de Munique nos anos 20, em Odessa em 2014 ou no circo folclórico do PREC que custou caro a alguns, como esta excelente reportagem demonstra, apesar dos envolvidos se desculparem que tudo é desculpável no quente do parolismo revolucionário - demonstrou-se ser uma moça interessante e simpática. Isto para azia do piegas de serviço e chorão profissional Luís Cacofonix Osório, que foi incapaz de conduzir a entrevista à aspirante a líder da extrema-esquerda antidemocrática para o sentimentalismo de cordel.

Mas a jovem Renata atacou e denunciou quanto quis, levando à amargura o entrevistador enquanto denunciava emplastros vários, desde o herói Francisco I do Vaticano ao herói Francisco I do ISEG, passando a ferro figuras como o herói cacique Garcia Pereira e outros cromos da aldeia levados ao colo pela imprensa da Situação, enquanto desconstruía a mesma extrema-esquerda. 

Para quem queira ouvir umas boas verdades sobre a burguesia de esquerda que não conseguirá auscultar noutros fóruns. Recomendo vivamente.



1 comentário:

Utilizador 404 disse...

Finalmente, a RTP encontrou uma forma honesta de gerir as expectativas do país: criou um confessionário chamado "Vencidos", para que a elite possa admitir a sua irrelevância entre os anúncios do Libidiumfast e da Ausónia.
"Vencidos" é um nome honesto para um sistema que faliu. Entre o sentimentalismo bacoco do entrevistador e as verdades cruas da entrevistada sobre a "burguesia de esquerda", fica o retrato de um país gerido por emplastros levados ao colo pela imprensa. É o circo do costume, mas pelo menos desta vez o palhaço ficou sem guião.